Visita de campo avança na construção do Geoparque Pajeú e percorre patrimônios de Triunfo (PE)

14/08/2026 - 15:55

A construção da proposta do Geoparque Pajeú entrou, nesta sexta-feira (14), em uma etapa de campo. Após a reunião estratégica realizada na quinta-feira (13), em Triunfo, representantes de municípios e instituições envolvidos na iniciativa percorreram pontos de interesse histórico, cultural e turístico do município.


A visita técnica faz parte da programação oficial do encontro articulado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), que prevê a identificação de áreas de interesse geológico, geomorfológico, hidrográfico, paisagístico, cultural e turístico do território.

A atividade contou com a participação de representantes dos municípios envolvidos na articulação do Geoparque Pajeú e que estiveram presentes na agenda realizada no dia anterior, além de pesquisadores, representantes dos comitês de bacia e profissionais envolvidos na construção da proposta.

Casa Grande das Almas

A primeira parada foi a Casa Grande das Almas, localizada na divisa entre Pernambuco e Paraíba. O local chama atenção justamente pela relação da própria construção com a fronteira entre os dois estados.

Durante a visita, o guia de Triunfo Tiago Guimarães explicou que a cumieira, considerada o “espinhaço” da casa, funciona como referência da divisão territorial. Segundo a explicação apresentada no local, cerca de 70% da casa e das terras ficam no lado paraibano, pertencente ao município de São José de Princesa, enquanto aproximadamente 30% estão em território pernambucano.

A Casa Grande das Almas também carrega elementos da memória histórica do Sertão e relatos relacionados ao período do cangaço, acrescentando à visita um componente de patrimônio histórico e cultural.

Museu do Cangaço

Na sequência, o grupo visitou o Museu do Cangaço de Triunfo, espaço dedicado à preservação da memória do cangaço e da história sertaneja.

Durante a explicação, foi destacado que o cangaço não surgiu com Lampião. Segundo o relato apresentado durante a visita, o fenômeno já existia entre o século XIX e o início do século XX, em um contexto no qual o poder econômico e político estava concentrado nas mãos de fazendeiros e coronéis.

Ainda conforme a explicação apresentada no local, os setores mais pobres da população tinham pouco espaço e acesso à Justiça, o que contribuiu para o surgimento de formas de reação e da chamada “justiça com as próprias mãos”.

O museu apresenta, assim, mais um elemento da identidade histórica do território que pode ser considerado dentro da construção da proposta do Geoparque Pajeú.

Casa do Careta

A terceira parada foi a Casa do Careta, espaço dedicado a uma das manifestações culturais mais tradicionais de Triunfo.

Durante a visita, foi explicado que os Caretas estão ligados ao Reisado e que, inicialmente, eram conhecidos como “os mascarados”. Posteriormente, passaram a ser chamados de Caretas.

A narrativa apresentada no local conta que um integrante de um grupo de Reisado, após ser afastado, acabou dando origem a um novo personagem, que posteriormente se tornou uma das figuras mais emblemáticas da cultura triunfense.

A tradição dos Caretas se consolidou especialmente no Carnaval e representa um importante patrimônio cultural e imaterial de Triunfo.


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Natureza, história e cultura

A visita técnica permitiu observar, na prática, a diversidade de elementos que podem integrar a futura proposta do Geoparque Pajeú.

A iniciativa não se limita à identificação de formações geológicas. A proposta discutida durante a reunião estratégica busca integrar geodiversidade, patrimônio natural e cultural, turismo, educação e desenvolvimento sustentável, com participação das comunidades e dos diferentes setores do território.

A passagem pela Casa Grande das Almas, pelo Museu do Cangaço e pela Casa do Careta mostra justamente essa diversidade: um mesmo território reúne paisagens, patrimônio histórico, memória do cangaço, manifestações culturais e tradições que atravessam gerações.

Construção do Geoparque

A atividade desta sexta-feira representa uma etapa de campo dentro de um processo que ainda está em construção. A reunião realizada no dia anterior discutiu a organização da proposta, a participação dos municípios, a identificação do patrimônio e a formação de grupos de trabalho.

A programação prevê que a iniciativa avance para etapas de inventário, articulação institucional, participação social e estruturação da governança territorial antes de qualquer eventual candidatura a reconhecimento internacional.

A visita em Triunfo contou com a participação e o acompanhamento de Tiago Guimarães, guia da cidade; Elias Silva, coordenador regional do CBHSF; Cláudio Ademar da Silva, presidente do Comitê; e Dra. Thaís Guimarães, professora e pesquisadora da Universidade de Pernambuco (UPE).

A proposta do Geoparque Pajeú busca, a partir da valorização desses diferentes patrimônios, construir uma estratégia territorial capaz de aproximar conservação, educação, cultura, turismo e desenvolvimento sustentável, colocando em evidência as características que fazem do Pajeú um território singular.


Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Júnior Campos
*Foto: Júnior Campos