Sem saneamento e com problemas de erosão, comunidade tradicional de pescadores na Bahia aprova diagnóstico do Programa de Proteção, Conservação e Recuperação Ambiental em Microbacias

03/04/2025 - 16:30

A associação de pescadores da colônia Z49 do Povoado Passagem no município de Pilão Arcado-BA participou na segunda-feira (31) do seminário final do Programa de Proteção, Conservação e Recuperação Ambiental em Microbacia do Rio São Francisco – Submédio SF. Contratada pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, que está financiando a ação, a empresa Água e Solo apresentou o diagnóstico e projetos individuais por propriedade que visam a conservação ambiental da água e do solo na microbacia do riacho Tranqueira.


Com diversos problemas ambientais que vão desde a falta de saneamento básico até erosão do solo, o povoado fica na margem esquerda do rio São Francisco e do Lago de Sobradinho e é apontado como um dos maiores portos pesqueiros no Rio São Francisco, formado por uma comunidade tradicional de pescadores que resiste e mantém a atividade como fonte principal de subsistência.

No início do projeto, o presidente da colônia de pescadores, Ademilson Teixeira, destacava as urgências da região, entre elas a importância da consciência ambiental coletiva e o esgoto a céu aberto que deságua, sem tratamento, no Rio São Francisco. Agora, sua expectativa é que as famílias sejam contempladas com as ações propostas e possam melhorar a qualidade de vida na comunidade e aumentar o cuidado com o rio. “A comunidade de pescadores entende que é preciso preservar, temos essa consciência, mas precisamos reforçar isso e colocar em prática. Agora agradecemos pelo trabalho feito, onde conhecemos cada proposta para as propriedades e visa a melhoria da qualidade de vida dos pescadores, a partir do cuidado com o meio ambiente”.

Foram elaborados os projetos por propriedade e projetos para a comunidade com foco também no controle de erosão das estradas. Em cada caso, foram propostas intervenções como isolamento e recomposição de vegetação nativa, implantação de sistemas de pastagem, além de cultivo em faixa e plantio de espécies arbóreas nativas. A comunidade também deve receber treinamento, onde cada propriedade receberá duas visitas com a duração de quatro horas para capacitação do uso, gestão, manutenção e execução das práticas sustentáveis propostas nas intervenções. Os projetos foram elaborados para 74 propriedades.


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Também foram propostas intervenções pontuais para recuperação ambiental das estradas locais e construção de barraginhas para contenção de sedimentos. “O estudo realizado nos últimos meses avaliou as principais urgências e necessidades da comunidade e hoje conhecemos o resultado desse diagnóstico. Agora, as famílias deverão avaliar seus projetos e, se entenderem que é de fato condizente com suas necessidades, devem assinar o termo de aceite que vai permitir ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco dar a continuidade do programa com a contratação de empresa para execução das intervenções propostas”, explicou o Coordenador da Câmara Consultiva Regional do Submédio São Francisco, Cláudio Ademar.

Ansiosos pela execução do projeto, mais da metade das famílias com projetos prontos já assinaram os termos de aceite. As obras serão financiadas integralmente pelo CBHSF através de recursos oriundos da cobrança pelo uso da água da bacia. “Esse projeto é muito interessante aqui para a gente, para meus vizinhos, para cuidar do nosso solo que está muito ruim por causa da pouca chuva e que a gente depende dela também para plantar. A gente depende do rio para tudo. Por isso, acreditamos no projeto e acontecendo tudo da forma que foi apresentado, será muito importante para a conservação do ambiente com a plantação das árvores. A gente tem que cuidar do solo, das nossas plantas”, concluiu Perolina Ribeiro.


Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Juciana Cavalcante
*Foto: Juciana Cavalcante