Fluxo de água na nascente do Rio São Francisco aumenta após chuvas no Centro-Oeste de Minas

07/01/2019 - 8:30


Resultado é aumento do nível do rio no trecho de São Roque de Minas. Em Abaeté, Agência Nacional de Águas confirma média histórica para época do ano.


O volume de água da nascente do Rio São Francisco, que fica dentro do Parque Nacional da Serra da Canastra, em São Roque de Minas, tem apresentado um aumento. Segundo a coordenação do local, o fluxo chamou atenção e o motivo é a chuva na região há alguns dias.
A consequência disso foi registrada pela Agência Nacional de Águas (ANA) em Abaeté, onde o rio apresentou um índice recorde no nível da água neste período, se comparado a anos anteriores. O monitoramento é feito na estação Porto das Andorinhas.
A situação é contrária à mostrada pelo G1 em 2014, quando funcionários do parque registraram uma seca na nascente devido à estiagem na região.
Segundo o chefe do parque, Fernando Augusto Tambelini, a cheia provocou episódios que chamaram a atenção. “Nesses primeiros dias do ano, tivemos registros em que a água da nascente subiu até atingir a estrada e passou por cima de uma das pontes, um volume muito significativo” disse.
O fato foi registrado por pessoas que frequentam o parque. Um vídeo feito pelo guia do parque, Patric Oliveira, mostra a intensidade da correnteza no local onde tem uma placa apontando para a nascente. Assista.
Conforme dados registrados pela estação em Abaeté, na região, o Rio São Francisco está com um volume de 3,56 metros- são 16 centímetros acima da média para o período, que é de 3,40m.
Os números chamaram ainda mais atenção no ano passado. No dia 30 de novembro de 2018, o nível foi ainda maior: chegou a 4,41m e foi considerado o maior já registrado para esse período do ano desde a implantação da estação, há 62 anos. Em outras épocas do ano, o maior nível já registrado foi em 10 de fevereiro de 1992, quando o rio chegou a 8,97m.
A nascente é a principal de toda a extensão do rio, que tem 2.700 km. O São Francisco é o maior rio totalmente brasileiro, e sua bacia hidrográfica abrange 504 municípios de sete unidades da federação – Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Goiás e Distrito Federal. Ele nasce na Serra da Canastra, em Minas, e desemboca no Oceano Atlântico na divisa entre Alagoas e Sergipe.
Seca da nascente
Em 2014, o G1 mostrou uma situação inversa. Um longo período de estiagem provocou a seca da nascente do Rio São Francisco. Na época, o volume útil da Represa de Três Marias, que é a primeira barragem construída ao longo do rio, chegou a registrar 6%, a de Sobradinho, 31%.

Em 2014, G1 mostrou que estiagem na região resultou na seca da nascente do Rio São Francisco — Foto: Anna Lúcia Silva/G1

 
“Um dos grandes benefícios da cheia é devido a esse período de estiagem que passamos, agora é muito bom ter volume de chuvas maiores. Dessa forma os rios afluentes serão abastecidos e vão trazer mais água para as represas, aumento dos reservatórios, aumento de água para o abastecimento da população, para a agricultura, além do ganho para a biodiversidade” comemorou Tambelini.
Alerta
Contudo, a cheia também demanda mais atenção dos banhistas. Em dezembro de 2018 uma tromba d’agua provocou a morte de duas adolescentes em uma cachoeira em São Roque de Minas, na Serra da Canastra.
O chefe do parque nacional alerta aos frequentadores que, nesta época no ano, estejam atentos à previsão do tempo e consultem moradores locais antes de se banharem em rios e cachoeiras.
“A gente pede cuidado redobrado, principalmente se o nível do rio tiver alto e, em especial, quanto à chuva nas cabeceiras. A tromba d’agua, que é o aumento repentino do nível da água, é um fenômeno comum nesses casos e como já houve fatalidades recentes a gente espera que não volte a acontecer”, alerta.
 

*Fonte: G1
*Foto destaque: Fernando Piancastelli