O município de Érico Cardoso recebeu, na última quarta-feira (3), uma das edições regionais da campanha nacional “Eu Viro Carranca para Defender o Velho Chico”, com uma programação que foi do debate institucional à ação ambiental direta. O encontro aconteceu no auditório do Colégio Estadual de Tempo Integral de Água Quente (CETIAQ) e foi promovido pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), pela CCR-Médio São Francisco, pelo Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Paramirim e Santo Onofre (CBH-PASO) e pela Prefeitura Municipal.
Com o tema “Velho Chico. Um rio, muitas mãos”, o evento integrou uma das quatro edições simultâneas da campanha realizadas neste ano, com foco na construção coletiva do Plano Integrado de Recursos Hídricos. As demais aconteceram em Paracatu (MG), Juazeiro (BA) e Canindé de São Francisco (SE).
Em Érico Cardoso, o evento reuniu autoridades das esferas municipal, estadual e federal. Cláudio Ademar da Silva, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, definiu o tom da mobilização: “Hoje é um dia de celebração, de comemoração, mas também de reivindicação, de debate, de diálogo e de alegria. Viva o Velho Chico!”
O coordenador da CCR-Médio São Francisco, Cláudio Pereira da Silva, destacou a dependência do Rio São Francisco em relação aos seus afluentes e saudou a mobilização do dia como expressão concreta do lema “Um rio, muitas mãos”.
O secretário nacional de Segurança Hídrica, Giuseppe Serra Seca Vieira, reforçou a necessidade de vigilância permanente: “A gente tem que estar sempre lutando, sempre policiando, sempre diligente na defesa do São Francisco.” Além dele, os governos estadual e federal marcaram presença por meio de representantes ligados à gestão de recursos hídricos e ao desenvolvimento regional. O evento contou ainda com a participação da CODEVASF, do Ministério Público da Bahia e de parlamentares.
Encerrados os debates, os participantes realizaram uma caminhada até o Poção, nascente que deu origem ao antigo nome da cidade e símbolo vivo da relação entre Érico Cardoso e o ciclo das águas. No local, crianças e violinistas se apresentaram em um momento de integração entre cultura, educação e meio ambiente. O grupo realizou um abraço simbólico ao espaço e plantou mudas nativas, gesto que traduziu em ação concreta os compromissos assumidos ao longo do dia.
A carranca, figura esculpida em madeira e fixada na proa das embarcações do São Francisco para espantar os perigos do rio, dá nome à campanha e resume seu espírito de proteção coletiva.
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Anselmo Barbosa Caires, presidente do CBH-PASO, sintetizou o momento com as palavras que atravessaram todo o evento: “Eu viro carranca para defender o Velho Chico! Eu viro carranca para defender as nascentes de Érico Cardoso!”
No período da tarde, a programação ganhou tons festivos. Apresentações da Fanfarra de Água Quente, do Reisado da Comunidade de Paramirim das Crioulas e de quadrilhas juninas animaram o público, que também acompanhou o funcionamento de um engenho, de um alambique para produção de aguardente e de uma casa de farinha com produção de tapioca.
Durante todo o dia, exposições educativas, mostra de peixes típicos da região e distribuição de mudas nativas complementaram a programação, conectando o visitante à biodiversidade e à cultura do entorno do São Francisco.
O evento foi uma realização do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco em parceria com instituições governamentais e da sociedade civil.
Ao reunir debate técnico, compromisso político, expressão cultural e ação ambiental em um único dia, a edição de Érico Cardoso demonstrou que a pauta ambiental ganha força quando deixa de ser só institucional e passa a ser também vivida.
Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: William Azevedo
*Foto: Agência Difere