O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) segue ampliando sua atuação em iniciativas estratégicas que unem preservação ambiental, valorização do patrimônio natural e cultural e desenvolvimento sustentável. Um dos principais resultados desse trabalho é o fortalecimento da agenda dos Geoparques ao longo da bacia hidrográfica, uma proposta construída e impulsionada pela atual gestão do Comitê, que passa a ganhar ainda mais visibilidade com a inclusão de três territórios da Bacia do São Francisco no novo Mapa de Geoparques Mundiais da UNESCO e Projetos no Brasil.
As propostas Cânions e Lagos do São Francisco, Sertão do Pajeú e Vale do São Francisco passam a integrar o mapa nacional, representando um importante reconhecimento das iniciativas que vêm sendo desenvolvidas para promover a conservação do patrimônio geológico, a educação, o turismo sustentável e o desenvolvimento territorial.
O presidente do CBHSF, Cláudio Ademar, destacou que o fortalecimento da proposta dos Geoparques nasceu a partir das discussões promovidas pela atual gestão do Comitê em conjunto com especialistas da área, entre eles a professora Thaís Guimarães, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Segundo ele, a experiência internacional demonstra que os Geoparques representam uma ferramenta eficiente para impulsionar o desenvolvimento sustentável, conciliando preservação ambiental e crescimento econômico.
Cláudio Ademar ressaltou que países como a China comprovam esse potencial ao movimentarem mais de 40 milhões de euros em 2025 por meio dessa política pública. Para o presidente, o sucesso da iniciativa depende da união entre sociedade civil, comunidades locais, municípios, estados, Governo Federal, universidades e instituições parceiras, fortalecendo uma governança capaz de transformar o patrimônio natural em oportunidades para toda a população da Bacia do São Francisco.
Ainda de acordo com o presidente do CBHSF, os Geoparques fortalecem a geologia, valorizam a cultura local, reconhecem os povos e comunidades tradicionais e ampliam a proteção dos recursos hídricos. Ao mesmo tempo, estimulam a geração de emprego e renda por meio do turismo sustentável, consolidando uma estratégia que dialoga diretamente com a missão institucional do Comitê de promover a gestão integrada dos recursos hídricos. Cláudio Ademar reforçou que investir no turismo sustentável é também investir na proteção e valorização do Velho Chico, transformando o patrimônio da bacia em um vetor permanente de desenvolvimento.
Ganhos reais
Para a geógrafa, doutora em Geociências e professora do curso de Geografia da Universidade de Pernambuco (UPE), Thaís Guimarães, a inclusão das três propostas no novo mapa representa um importante avanço para os territórios vinculados ao Rio São Francisco. Segundo ela, a presença das iniciativas amplia sua visibilidade, fortalece o reconhecimento científico e evidencia o trabalho que vem sendo desenvolvido em torno da geodiversidade, do geopatrimônio, da educação e do desenvolvimento territorial sustentável.
Thaís Guimarães ressaltou ainda que a representação possui um significado especial para a Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, uma vez que contempla diferentes paisagens e contextos territoriais ligados ao Velho Chico, desde o Sertão do Pajeú e sua rede de afluentes, passando pelo Vale do São Francisco, entre Pernambuco e Bahia, até os cânions e grandes lagos que abrangem Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Para a pesquisadora, esse conjunto evidencia que a bacia constitui um território de extraordinária diversidade geológica, geomorfológica, ecológica e cultural.
Embora a inclusão no mapa ainda não represente o reconhecimento oficial como Geoparque Mundial da UNESCO, ela destaca que esse é um passo estratégico para fortalecer a articulação das propostas, ampliar sua visibilidade e reafirmar o potencial da Bacia do São Francisco como referência em geopatrimônio, educação ambiental, turismo sustentável e desenvolvimento regional.

Pontos positivos da inclusão
O professor do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Marcos Antônio Leite do Nascimento, explicou que o Mapa de Geoparques Mundiais da UNESCO e dos Projetos de Geoparques no Brasil apresenta um panorama atualizado das iniciativas que seguem as diretrizes do Programa Internacional de Geociências e Geoparques da UNESCO. Segundo ele, o documento evidencia o crescimento da temática no país, reunindo tanto os seis geoparques brasileiros já reconhecidos internacionalmente quanto os territórios em processo de estruturação.
Para o pesquisador, a inserção do Projeto Geoparque Rio São Francisco representa o reconhecimento de uma iniciativa construída para valorizar a geodiversidade, o patrimônio geológico, a biodiversidade e a riqueza histórica e cultural da região. Além disso, amplia sua visibilidade nacional, fortalece a integração com outras iniciativas brasileiras e contribui para ampliar a articulação entre instituições de pesquisa, gestores públicos, comunidades locais e parceiros estratégicos.
O estudante de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Leonardo da Silva Firmino, explicou que a inserção da proposta ocorreu a partir da parceria entre os autores do mapa e a coordenação do Projeto Geoparque Vale do São Francisco. Segundo ele, a iniciativa foi incorporada por representar um projeto brasileiro em fase de estruturação com grande potencial de desenvolvimento.
Leonardo destacou que a presença no mapa fortalece a credibilidade institucional da proposta, amplia sua visibilidade, facilita a articulação com pesquisadores, gestores públicos e parceiros, além de contribuir para divulgar o patrimônio geológico, natural e cultural do território. A expectativa é que esse processo fortaleça as ações de geoeducação, geoturismo e consolidação da proposta com vistas a uma futura candidatura ao reconhecimento como Geoparque Mundial da UNESCO.
Compromisso do CBHSF
Ao liderar essa agenda, o CBHSF reafirma seu compromisso com a construção de políticas públicas inovadoras que unem conservação ambiental, valorização dos territórios, fortalecimento das comunidades e desenvolvimento sustentável, consolidando o Velho Chico como um dos maiores patrimônios naturais, culturais e geológicos do Brasil.
Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Deisy Nascimento
*Foto: Mavis360; TantoExpresso
*Mapa: Firmino, L.S. e Nascimento, M.A.L. 2026. Mapa de Geoparques Mundiais da UNESCO e Projetos no Brasil. 1:25.000.000, 29,7cmx21cm.