Visita técnica destaca preservação de nascentes e desafios ambientais em Seabra

28/04/2026 - 11:48

Na tarde de segunda-feira (27), representantes do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco realizaram visitas técnicas a áreas de nascentes na zona rural do município de Seabra, na Chapada Diamantina. A atividade teve como objetivo conhecer a realidade hídrica local, fortalecer o diálogo com comunidades e identificar demandas de preservação.

Uma das áreas visitadas foi a comunidade Riacho das Palmeiras, território de uma família indígena do povo Tapuia, que protege nascentes responsáveis por alimentar o rio Jacaré, afluente do Rio São Francisco. No local, cerca de oito hectares são destinados exclusivamente à preservação ambiental, sem uso para cultivo ou criação de animais.

A representante da comunidade, Iara Rosa, explicou o trabalho desenvolvido. “Aqui nessa área a gente mantém só para a preservação da natureza. Não faz plantio nem cria animais. A gente tem outra área para cultivo. Aqui é só para cuidar do meio ambiente”, afirmou.

Ela também destacou a importância das nascentes para a sobrevivência da comunidade. “Isso aqui representa a nossa vida. Sem a água, a gente não tem alimentação, não tem produção. Representa tudo”, disse.

Além da preservação, a comunidade realiza ações de educação ambiental. “A gente tem um canteiro de mudas, que serve tanto para replantar aqui quanto para levar para escolas e outras comunidades, junto com rodas de conversa sobre o cuidado com o meio ambiente”, acrescentou.

Apesar do trabalho contínuo, Iara relatou a falta de apoio institucional. “Até o momento, a gente não tem apoio de órgãos federais, estaduais ou municipais. Teve um projeto pequeno no ano passado para cercar a área, mas ainda é pouco diante da necessidade”, pontuou.

 

 

Durante a visita, o coordenador da CCR Médio São Francisco, Cláudio Pereira, destacou a relevância da área dentro da bacia. “Viemos fazer essa visita técnica para conhecer essas nascentes tão importantes, que contribuem para o rio Jacaré, um dos afluentes do São Francisco”, afirmou.

Ele também chamou atenção para a localização estratégica do território. “Aqui é um divisor de águas. De um lado, nascentes que vão para o rio Paraguaçu, do outro, nascentes que alimentam o rio Jacaré, que chega ao São Francisco. Isso mostra a importância de entender a bacia como um todo”, disse.

A agenda incluiu ainda a visita a uma nascente na comunidade Vale do Paraíso, que apresenta sinais de degradação ambiental, principalmente em função do desmatamento e do uso para pastagem, demandando ações de recuperação.

Para o presidente do Comitê das Bacias dos rios Verde e Jacaré, Paulo Neiva, a visita reforça a importância de conhecer a origem das águas. “É uma oportunidade de entender quem abastece o rio Jacaré, para que ele possa seguir seu curso até o São Francisco. Esse conhecimento fortalece a gestão das águas”, afirmou.

O secretário municipal de Agricultura de Seabra, João Alberto, destacou a necessidade de preservação e recuperação das áreas. “Sem nascentes, não há rios. É preciso cuidar bem dessas áreas para garantir água em quantidade e qualidade”, disse. Ele também sinalizou a construção de propostas para apoiar a comunidade. “A gente pretende apresentar projetos para ajudar na recuperação das áreas que precisam de cuidado”.

Participaram da visita o secretário de Agricultura de Seabra, João Alberto; o presidente do Comitê das Bacias dos rios Verde e Jacaré, Paulo Neiva; o coordenador da CCR Médio São Francisco, Cláudio Pereira; o secretário da CCR Médio São Francisco, Anselmo Barbosa Caires; o membro titular da CCR, Yuri Ranyelle Sousa, representante do CBH Paramirim e Santo Onofre; a representante da Embasa, Carla; e o membro suplente Roberto Rivelino, além de representantes da comunidade indígena Tapuia e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais.

 

Agenda em Seabra

A programação do Comitê segue nesta terça-feira (28), com reunião ao longo de todo o dia, na cidade de Seabra.

Entre os pontos de pauta estão a aprovação de ata, informes institucionais, incluindo reuniões, o Encontro de Afluentes e a campanha “Eu Viro Carranca”, além de deliberações normativas para a Plenária de maio de 2026.

Também serão discutidos o repovoamento de peixes nativos na bacia, com apresentação da CODEVASF, o status dos projetos no Médio São Francisco, pela Agência Peixe Vivo, e propostas para captação de recursos junto ao Fundo Eletrobras.

O encontro reúne representantes do poder público, sociedade civil e usuários de água para debater ações estratégicas voltadas à gestão dos recursos hídricos na região.

 


Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
Texto e fotos: Tamiris Batista