Oficina pública discute metas para melhorar a qualidade das águas no Médio São Francisco

15/10/2026 - 15:37

A qualidade dos rios que se deseja para o futuro depende das ações planejadas no presente. Nas bacias dos Afluentes Mineiros do Médio São Francisco e do Rio Carinhanha, esse caminho está sendo construído com a definição de metas que deverão orientar investimentos em saneamento e conservação ambiental. As alternativas para alcançar esses objetivos foram discutidas em oficina pública online realizada na quarta-feira, 14 de outubro, com espaço para contribuições dos participantes.


O encontro integrou a Etapa de Proposição de Metas dos Estudos de Enquadramento dos Corpos d’Água Superficiais. O enquadramento estabelece a qualidade que as águas devem alcançar ou manter para atender aos usos atuais e pretendidos, como abastecimento humano, irrigação e proteção da vida aquática. A área estudada abrange trechos de domínio da União e as unidades de planejamento CH SF9, em Minas Gerais, e RPGA XXIV, na Bahia.

Para transformar esses objetivos em caminhos possíveis, a apresentação trouxe duas alternativas preliminares. “A primeira, descrita como o “rio que podemos ter”, considera o atendimento às metas do Marco Legal do Saneamento Básico, com 90% de coleta e tratamento de esgoto. Prevê a operação eficiente das estações existentes, implantação de novas unidades e soluções individuais, como fossas sépticas, para a população não atendida”, esclareceu Tiago Henrique, representante da DMTR Engenharia, empresa contratada para a elaboração do estudo de enquadramento.

A segunda, associada ao “rio que queremos”, incorpora essas medidas e amplia os esforços para alcançar a qualidade exigida pelos usos mais restritivos de cada trecho. Inclui tratamentos mais eficientes, reúso de efluentes e controle da poluição proveniente de fontes dispersas no território.

“Nessa alternativa, o saneamento se articula à conservação ambiental, com propostas de biodigestores para tratar dejetos da pecuária, recuperação de matas ciliares e práticas de proteção da água e do solo, como barraginhas, recuperação de pastagens e adequação de estradas vicinais”, acrescentou Thiago.



Das propostas às ações

A escolha das medidas depende dos desafios de cada trecho. Entre os pontos apresentados estão a eficiência do tratamento na remoção de matéria orgânica, nutrientes e coliformes e a capacidade dos cursos d’água de menor vazão de receber efluentes. A sazonalidade, a intermitência dos rios e a contribuição dos aquíferos também precisam ser consideradas.

Para organizar os avanços ao longo do tempo, o planejamento trabalha com horizontes intermediários em 2030 e 2035 e final em 2045. Um exercício com cenários e metas fictícios demonstrou como as intervenções podem evitar a deterioração das águas ou promover melhorias progressivas até a qualidade necessária.

As alternativas permanecem sujeitas à validação no processo participativo. Após a apresentação, os participantes puderam contribuir com a discussão, oferecendo subsídios para a conclusão das propostas e para o programa de efetivação do enquadramento, que deverá indicar as ações necessárias para alcançar as metas.

O trabalho é contratado pela Agência Peixe Vivo e executado pela Deméter Engenharia, com apoio do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), do CBH dos Afluentes Mineiros do Médio São Francisco e dos órgãos gestores Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema -Bahia).


Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiza Baggio
*Foto: Divulgação