Nova composição assume Câmara Técnica de Águas Subterrâneas do CBHSF

10/07/2026 - 16:30

Posse da CTAS foi marcada pelo reconhecimento do ciclo anterior e pela expectativa de fortalecer sua atuação propositiva, para ampliar a interlocução com o Comitê


A Câmara Técnica de Águas Subterrâneas (CTAS) do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco iniciou, nesta quinta-feira (09/07), um novo ciclo de atividades com a posse de seus integrantes e a renovação da Coordenação e Secretaria para o mandato. Os trabalhos foram conduzidos pela Diretoria Executiva do CBHSF, que ressaltou o papel estratégico da CTAS na gestão dos recursos hídricos da bacia, especialmente diante da necessidade de subsidiar as decisões do Comitê com informações técnicas qualificadas.

A sessão foi aberta após a verificação do quórum regimental, permitindo a instalação da nova composição da CTAS. Na condução dos trabalhos da posse, o CBHSF destacou a trajetória da CTAS desde sua criação, ressaltando o acúmulo de estudos e recomendações produzidos sobre os aquíferos da bacia e a necessidade de dar continuidade a esse patrimônio técnico. Foi enfatizado o papel estratégico da Câmara na produção de informações capazes de subsidiar a gestão dos recursos hídricos, sobretudo diante da crescente dependência das águas subterrâneas para o abastecimento humano e a irrigação.

Tomaram posse representantes de instituições acadêmicas, associações, poder público, entidades comunitárias e organizações da sociedade civil, evidenciando o caráter interdisciplinar da Câmara.

Após as assinaturas do Termo de Posse, os novos membros fizeram suas apresentações, que evidenciaram a pluralidade de saberes reunidos na Câmara, congregando especialistas em hidrogeologia, gestão ambiental, agricultura, arqueologia, história, lideranças comunitárias ligadas diretamente aos territórios da bacia, entre outras áreas.

Os relatos compartilhados trouxeram à tona desafios recorrentes, como subsidência do terreno associada ao uso intensivo da água subterrânea, conflitos pelo acesso ao recurso, desafios da irrigação, além da ampliação do monitoramento integrado de rios e aquíferos, e a necessidade de aperfeiçoar os instrumentos de gestão. A dimensão histórica e cultural da água também esteve presente, ao se associar a ocupação humana do vale do São Francisco ao conhecimento tradicional sobre nascentes, cacimbas e formas de convivência com o semiárido.

As intervenções reforçaram a importância da produção científica e do monitoramento contínuo, com destaque para iniciativas voltadas à integração de informações sobre precipitação, níveis de rios e aquíferos em plataformas de acesso público. Foi ressaltado que a compreensão do comportamento das águas subterrâneas depende de uma visão integrada com as águas superficiais e com a dinâmica climática, de modo a embasar decisões sobre outorga, conservação, recarga e manejo dos sistemas hídricos. Integrantes enfatizaram, ainda, os desafios de conciliar abastecimento humano, produção agrícola e sustentabilidade dos mananciais subterrâneos, especialmente em localidades cuja segurança hídrica depende de poços.



Renovação 

Na renovação da Coordenação e da Secretaria, prevaleceu o entendimento de que as funções exigem disponibilidade, compromisso e capacidade de articulação técnica. Após a representação do Comitê se retirar da sala, houve duas candidaturas para cada cargo, sendo escolhida a nova composição.

Nos assuntos gerais, ganharam destaque a defesa de maior integração e compartilhamento dos dados produzidos pelos órgãos de monitoramento, a necessidade de aprimorar a representação institucional e a participação da CTAS na elaboração do novo Plano de Recursos Hídricos da bacia, bem como o fortalecimento das ações de educação ambiental voltadas às águas subterrâneas.

O encerramento da reunião foi marcado pelo reconhecimento do legado do ciclo anterior e pela expectativa de que a nova gestão avance da etapa de diagnósticos para a efetivação de medidas concretas em favor da segurança hídrica da bacia do rio São Francisco, articulando conhecimento técnico e experiências territoriais.

A nova composição da Câmara assumiu com a expectativa de fortalecer sua atuação propositiva, ampliar a interlocução com o Comitê e contribuir para a implementação de ações voltadas à recarga, ao manejo e ao uso sustentável das águas subterrâneas do São Francisco.


Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Joseanne Guedes
*Fotos: Joseanne Guedes