Nordeste: onde o São Francisco encontra a alma do Brasil

09/10/2026 - 13:24

No Dia do Nordestino, celebrado em 8 de outubro, a história do Velho Chico ajuda a lembrar que o sertão é território de cultura, conhecimento e identidade, e que a diversidade regional é uma das maiores riquezas do país


O Nordeste não cabe em um estereótipo. Não cabe na imagem de uma terra castigada pela seca, tampouco nas simplificações que, de tempos em tempos, reaparecem para diminuir sua gente. O Nordeste é muito maior do que qualquer tentativa de defini-lo por suas dificuldades. É território de criação, conhecimento, história, diversidade e pertencimento. E, para compreender um pouco dessa grandeza, basta acompanhar o caminho das águas do Rio São Francisco.

Celebrado em 8 de outubro, o Dia do Nordestino é uma oportunidade para reconhecer a contribuição de uma região que ajudou a construir a identidade brasileira. Da literatura à música, da culinária aos saberes tradicionais, o Nordeste está presente no cotidiano do país, mesmo quando nem sempre nos damos conta disso.

Mas a data também convida à reflexão. Para o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), Cláudio Ademar, “em um momento em que manifestações de preconceito regional voltam a ganhar espaço nas redes sociais, reconhecer a importância do Nordeste significa olhar para sua história sem reduzi-la às desigualdades, aos desafios climáticos ou às dificuldades econômicas. É preciso enxergar, sobretudo, as pessoas, os territórios e as muitas formas de viver que fazem dessa região uma parte indispensável do Brasil.”

O rio que une diferentes ‘Brasis’

O São Francisco nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e segue em direção ao Nordeste, atravessando paisagens que se transformam ao longo do percurso. Deixa para trás as montanhas mineiras, encontra a vegetação da Caatinga, percorre o sertão e chega ao Oceano Atlântico, entre Alagoas e Sergipe.

Em seu caminho, conecta histórias, culturas, atividades econômicas e modos de vida. É rio de pescadores, agricultores, povos indígenas, comunidades quilombolas, vazanteiros e ribeirinhos. Rio que abastece cidades, sustenta atividades produtivas e participa da vida cotidiana de milhões de brasileiros.

Mas o São Francisco também é memória. Está nas histórias transmitidas entre gerações, nas embarcações que cruzam suas águas, nas festas religiosas, nas cantorias, no artesanato e nas comunidades que construíram sua relação com o território a partir do ritmo das cheias e vazantes.

Para quem vive às suas margens, o Velho Chico não é apenas um recurso natural. É parte da própria identidade.

E talvez esteja aí uma das maiores lições do rio: não existe um único Brasil, assim como não existe um único Nordeste.


Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Foto: Geovana Jardim