Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco fortalece parceria e apoio ao Campus Intercultural Opará/UNEB ampliando caminhos e oportunidades para povos indígenas e comunidades quilombolas com foco no desenvolvimento humano e preservação ambiental
Há lugares onde a educação acontece dentro de uma sala de aula. E há lugares onde a própria terra, o rio, a memória e a resistência também ensinam. No coração de uma região marcada pela beleza e pela força da natureza, o Campus Intercultural Opará, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), representa uma dessas experiências que ultrapassam os limites de uma universidade convencional. Ali, jovens e adultos de comunidades indígenas e quilombolas encontram não apenas uma oportunidade de chegar ao ensino superior, mas um espaço onde suas histórias, seus saberes e seus territórios têm voz, vez e reconhecimento.
É uma experiência única no Brasil: uma universidade que vai ao encontro de populações historicamente afastadas dos espaços acadêmicos e constrói, com elas, uma nova maneira de fazer educação. Foi nesse cenário que representantes do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF) estiveram no Campus Intercultural Opará, localizada na zona rural do município de Jeremoabo/BA, nesta quinta-feira (21), para acompanhar de perto essa realidade e discutir novos caminhos para o fortalecimento da parceria construída ao longo dos anos.
Participaram da agenda o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, Cláudio Ademar; o coordenador Elias Silva, a secretária executiva Rosa Cecília Santos, além do representante do Ministério do Meio Ambiente, Alexandre Tofetti, o pró-reitor de Infraestrutura da UNEB, João Rocha, a diretora do Campus Intercultural Opará, Floriza Sena; professores, estudantes e integrantes da comunidade acadêmica. Mais do que uma visita institucional, o encontro revelou a dimensão humana de um projeto que nasceu para transformar realidades.
No Campus Opará, os estudantes têm acesso à formação acadêmica, recebem bolsa e contam com uma estrutura que lhes permite permanecer no espaço universitário. Há dormitórios, refeitório e alimentação com quatro refeições diárias, criando condições para que alunos que vivem em comunidades distantes dos estados da Bahia e Pernambuco possam estudar, conviver e construir sua trajetória acadêmica.
Ali, o ensino superior deixa de ser um sonho distante e passa a fazer parte da vida cotidiana de quem, durante muito tempo, precisou lutar para ter acesso a ele. A parceria entre o Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco e a UNEB chega agora a um novo momento, com obras de ampliação e melhoria da infraestrutura do Campus Intercultural Opará já em andamento. O investimento, de aproximadamente R$ 5 milhões, foi articulado e viabilizado pelo Comitê para fortalecer a estrutura da universidade, ampliar os espaços existentes e oferecer melhores condições para o desenvolvimento das atividades acadêmicas.
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A ampliação é fundamental para que o Campus possa acolher um número ainda maior de novos alunos e fortalecer uma experiência de formação que já alcança um total de 841 estudantes, em sistema de revezamento por turmas semanais, representando 15 comunidades quilombolas, 12 povos indígenas e 52 aldeias.
Mais do que ampliar paredes e espaços físicos, as obras ampliam possibilidades. Cada novo espaço construído significa a possibilidade de receber mais alunos, abrir novas oportunidades de formação e fortalecer uma universidade que chega a territórios historicamente afastados do ensino superior. Entre os novos horizontes está também a implantação do curso de Agronomia com enfoque agroecológico, iniciativa que poderá aproximar ainda mais a formação acadêmica da realidade dos povos e comunidades tradicionais, da agricultura familiar e da preservação ambiental da Bacia do São Francisco.
Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiz Hélio Alves
*Foto: Luiz Hélio Alves