Nesta quinta-feira (09), os novos membros da Câmara Técnica de Planos, Programas e Projetos (CTPPP), do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), tomaram posse, discutiram ações e debateram demandas da bacia durante reunião realizada em Belo Horizonte (MG). O encontro, na sede da Agência Peixe Vivo, reuniu representantes e marcou o início dos trabalhos da instância técnica nesta nova gestão.
A reunião foi aberta pelo vice-presidente do CBHSF, Altino Rodrigues, que destacou a importância estratégica da câmara para o andamento das ações do Comitê. Em seguida, a secretária da diretoria, Rosa Cecília Lima Santos, conduziu a recepção dos novos integrantes. Após as apresentações, os membros presentes tomaram posse de forma simbólica e assinaram o termo de composição da câmara. A CTPPP propõe estudos, analisa projetos financiados pela cobrança pelo uso da água, articula parcerias e avalia o Plano de Aplicação Plurianual.
Nova Coordenação da CTPPP
Eleitos pelos próprios integrantes para comandar a Câmara Técnica de Planos, Programas e Projetos (CTPPP), o professor Silvânio Costa, da Universidade Federal de Sergipe, assumiu a coordenação do grupo, enquanto Aldenir Ferreira, bióloga, passou a ocupar a secretaria. A escolha marca o início de um novo ciclo de atuação da câmara, com foco no fortalecimento técnico e na ampliação da participação dos membros nas discussões estratégicas do CBHSF.
Ao comentar a nova função, Silvânio destacou o caráter coletivo e estratégico da CTPPP, ressaltando que o bom desempenho da câmara depende do engajamento ativo de seus integrantes. Segundo ele, entre as primeiras ações da nova gestão está o resgate do histórico de contribuições das composições anteriores, como forma de garantir continuidade e avanço nas pautas. O coordenador também enfatizou o acompanhamento da implementação do Plano Integrado de Recursos Hídricos como um dos principais desafios, destacando a necessidade de uma abordagem ampla, que considere o rio principal, os afluentes e as comunidades ao longo de toda a bacia.
Já a secretária Aldenir Ferreira chamou atenção para o momento de reestruturação da câmara e para o papel fundamental que a instância exerce na análise técnica de planos e programas. Um dos pontos mais relevantes, segundo ela, é o avanço na inclusão de gênero, com maior presença feminina e ocupação de espaços de decisão. Aldenir destacou que essa participação contribui para a construção de um novo olhar sobre a gestão das águas, que alia conhecimento técnico à sensibilidade social.
Banco de Dados e Plano Integrado
Além da eleição, a câmara técnica já deu início aos trabalhos, com a apresentação da atualização da base de dados do Plano de Recursos Hídricos da bacia do Rio São Francisco. O material, elaborado pela RHA Engenharia e apresentado pela Maíra Moura, reúne e qualifica um amplo conjunto de informações técnicas que dão base ao planejamento e à gestão das águas, incorporando contribuições de especialistas, atores locais e membros do Comitê, além da análise de estudos já existentes.
Mais do que uma compilação, a iniciativa aprimora o nível de detalhamento e a disponibilidade dos dados, permitindo uma compreensão mais precisa da realidade da bacia. Dessa forma, a base se consolida como uma ferramenta estratégica para orientar decisões, avaliar a execução de ações anteriores e apoiar a atualização do plano.
O plano integrado também foi tema. Durante a reunião, o especialista da Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA), Erik Cavalcanti, destacou que a construção do Plano Integrado de Recursos Hídricos da bacia do Rio São Francisco exige alinhamento entre todos os envolvidos para garantir uma gestão harmônica. Segundo ele, o processo demanda clareza sobre o que deve ser evitado: “Não queremos um plano fragmentado, nem uma simples junção de planos já existentes. O que buscamos é um planejamento construído desde o início com todos os afluentes, de forma pactuada”, afirmou, reforçando a importância da participação ativa dos membros no acompanhamento e avaliação das etapas.
Erik também explicou que o plano integrado deve respeitar as particularidades de cada região da bacia, sem perder a visão do todo. A proposta prevê um conjunto de ações gerais do comitê, ações compartilhadas com afluentes e gestores, além de planos específicos para cada afluente, com diretrizes próprias. “A ideia é enxergar a bacia como um todo, mas sem ignorar suas diferenças”, destacou. O processo incluirá etapas de diagnóstico, prognóstico e definição de ações, com oficinas nos territórios, garantindo que o planejamento seja construído de forma participativa e conectado à realidade local.
Encaminhamentos
Como desdobramento das discussões, foram definidos encaminhamentos importantes para os próximos passos da câmara técnica, entre eles a construção de uma memória institucional, com o resgate das coordenações anteriores, e a recomposição dos Grupos de Acompanhamento Técnico (GATs). Também ficou estabelecida a ampliação da apresentação dos bancos de dados para outras instâncias do comitê, fortalecendo a integração das informações.
Outro ponto encaminhado foi o aprimoramento do SIGA São Francisco, com a proposta de ampliar sua utilização no meio acadêmico, especialmente nas universidades, contribuindo para difundir o acesso aos dados e qualificar ainda mais o uso das informações na gestão dos recursos hídricos.
Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: João Alves
*Fotos: João Alves