Consulta pública discute cenários para orientar o enquadramento das águas no Médio São Francisco

26/08/2026 - 16:35

Como estarão os rios nos próximos anos e quais condições de qualidade da água devem ser buscadas para atender aos diferentes usos no território? Essas questões orientaram a Consulta Pública da etapa de Prognóstico dos estudos de enquadramento dos corpos d’água dos Afluentes Mineiros do Médio São Francisco (CH SF9), em Minas Gerais, e da Região de Planejamento e Gestão das Águas do Rio Carinhanha (RPGA XXIV), na Bahia. O encontro foi realizado de forma online, nesta quarta-feira (26 de agosto).


A consulta reuniu gestores públicos, usuários de recursos hídricos, pesquisadores, representantes do setor privado e da sociedade civil para apresentação dos resultados da etapa e coleta de contribuições. O trabalho dá continuidade ao Diagnóstico concluído no início deste ano e avança na construção das chamadas “visões de futuro”, que servirão de referência para a definição das condições de qualidade desejadas para os rios.

Os estudos foram viabilizados pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), em parceria com o Comitê da Bacia Hidrográfica dos Afluentes Mineiros do Médio São Francisco (CBH SF9) e os órgãos gestores que atuam na região – Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema). Contratado pela Agência Peixe Vivo, o trabalho é executado pela Deméter Engenharia.

O Prognóstico representa uma mudança de perspectiva dentro dos estudos. Enquanto o Diagnóstico apresentou um retrato das condições ambientais, econômicas e sociais das bacias, além da disponibilidade, demanda e qualidade das águas superficiais e subterrâneas, a etapa atual utiliza essas informações para projetar diferentes possibilidades para os próximos anos.

O objetivo é compreender como fatores como crescimento populacional, desenvolvimento das atividades econômicas, alterações nos usos da água, saneamento e mudanças na ocupação do território podem repercutir sobre os recursos hídricos. A partir dessas projeções, o estudo busca construir, de maneira participativa, a visão dos chamados “rios que queremos”.

A discussão envolve uma região marcada por diferentes usos da água. Durante o Diagnóstico, a equipe técnica analisou, além das características ambientais e climatológicas, informações econômicas e de saneamento, disponibilidade e demanda hídrica e condições das águas superficiais e subterrâneas. Para aprofundar esse levantamento, foi realizada uma expedição de campo de três semanas, entre agosto e setembro de 2025, com visitas a Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), barragens, polos de irrigação, áreas de mineração e pontos turísticos.



Duas unidades de gestão, águas conectadas

A área analisada reúne territórios de Minas Gerais e da Bahia. A CH SF9 compreende os Afluentes Mineiros do Médio São Francisco e inclui o trecho do São Francisco situado a jusante da confluência com o Rio Urucuia até montante da confluência com o Rio Carinhanha.

Já o Carinhanha possui uma característica que reforça a necessidade de articulação entre diferentes instâncias de gestão: o rio percorre a divisa entre Minas Gerais e Bahia antes de encontrar o São Francisco. Dessa forma, o estudo envolve tanto águas de domínio estadual quanto cursos d’água de domínio da União.

Essa configuração torna a construção do enquadramento especialmente importante. Os rios não obedecem aos limites administrativos e as condições encontradas em determinado trecho podem repercutir sobre outros pontos da bacia. O planejamento da qualidade das águas, portanto, exige uma visão integrada do território e articulação entre os diferentes órgãos e colegiados responsáveis pela gestão dos recursos hídricos.


Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiza Baggio
*Foto: Edson Oliveira