Comunidades e instituições discutem o futuro dos perímetros irrigados do Sistema Itaparica

13/07/2026 - 14:12

Oficina realizada em Petrolândia (PE) debateu a modernização da infraestrutura, o uso eficiente da água e os próximos passos da repactuação


O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), participou, no último sábado (11), no município de Petrolândia (PE), da Oficina Interinstitucional de Planejamento da Repactuação do Sistema Itaparica. A atividade reuniu representantes das comunidades reassentadas, do poder público, de organizações da sociedade civil e de instituições de ensino para debater os desafios que afetam os perímetros irrigados e as condições de produção das famílias.

Diretamente ligado às águas do rio São Francisco, o Sistema Itaparica reúne mais de 5 mil famílias que vivem e produzem em perímetros voltados principalmente à agricultura familiar. Entre os problemas discutidos estão o desgaste da infraestrutura, as perdas de água, o elevado consumo de energia e as pendências que ainda atingem as comunidades reassentadas.

Promovida pelo Polo Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Submédio São Francisco – PE/BA, a oficina deu continuidade às discussões iniciadas no seminário “Todos por Itaparica”, realizado em abril, também em Petrolândia. No novo encontro, o grupo aprofundou o debate e definiu os próximos passos da repactuação, processo que busca revisar os compromissos assumidos com as famílias reassentadas e construir soluções para os perímetros irrigados.

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) atuou na oficina como articulador entre comunidades, organizações sociais e órgãos públicos. Na avaliação do colegiado, a gestão dos recursos hídricos deve considerar também as condições de vida e de produção das populações que dependem do São Francisco. Nesse papel, o Comitê contribui para a construção de soluções que conciliem o uso eficiente da água e as demandas das comunidades impactadas pela implantação do sistema.

Entre os participantes estavam representantes da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), do Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE), da Diocese de Floresta (PE), da Secretaria-Geral da Presidência da República e de organizações da sociedade civil.



Infraestrutura defasada e pendências históricas

O Sistema Itaparica foi implantado na década de 1980, a partir da construção da barragem de Itaparica, atual Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga, localizada entre os municípios de Petrolândia (PE) e Glória (BA). Com a formação do reservatório, famílias que viviam às margens do São Francisco foram reassentadas.

Quase quatro décadas depois, persistem pendências relacionadas à titulação das propriedades, à definição das áreas de sequeiro, à oferta de assistência técnica e às condições de funcionamento dos sistemas de irrigação.

Durante a oficina, a modernização do sistema foi apontada como necessária para reduzir vazamentos, melhorar o aproveitamento da água e diminuir os gastos com energia e manutenção. A recuperação da infraestrutura também pode minimizar impactos sobre o solo, como a salinização associada ao excesso de água em determinadas áreas.

A necessidade dessa modernização decorre do desgaste e da baixa eficiência da infraestrutura atual. Bombas, tubulações e outros equipamentos antigos aumentam o consumo de energia e comprometem tanto a distribuição de água quanto o funcionamento das unidades produtivas. Como consequência, aumentam os custos de produção, e as famílias enfrentam mais dificuldades para manter a atividade agrícola nos perímetros irrigados.

Esse cenário se agrava com o tamanho reduzido de alguns lotes, que limita a área disponível para o cultivo e, consequentemente, o volume da produção agrícola. A combinação entre a menor capacidade produtiva e as despesas elevadas com irrigação dificulta a geração de renda para cobrir os custos da atividade, garantir o sustento familiar e permitir novos investimentos.


Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Victória Resende
*Fotos: Divulgação