Representantes da Câmara Consultiva Regional (CCR) do Submédio São Francisco participaram de reunião ordinária nesta quinta-feira (3/09), por meio de videoconferência. Na pauta, destaque para as atualizações dos projetos desta câmara, incluindo os financiados pelos recursos do Fundo de Privatização da Eletrobrás, e para o Campus Opará, em parceria com a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), no município baiano de Jeremoabo.
Durante o encontro, os participantes acompanharam ainda a aprovação da ata da reunião anterior, realizada em abril deste ano, em Casa Nova, na Bahia, além de informes institucionais sobre os geoparques ao longo da Bacia e a próxima Plenária do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF). O Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) também esteve na pauta.
Projetos
Rayssa Balieiro Ribeiro, Coordenadora Técnica na Agência Peixe Vivo (APV), foi responsável por conduzir o diálogo sobre os projetos do CBHSF financiados com os recursos do Fundo Eletrobras. Um dos pontos destacados foi que, em articulação entre CBHSF, APV e Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), as propostas selecionadas despertaram o interesse do ministério devido à metodologia de priorização adotada, baseada em critérios técnicos objetivos e transparentes.
Foi pontuado ainda que o MMA aprovou recursos oriundos da privatização da Eletrobras para a execução dos oito projetos inicialmente selecionados pelo CBHSF e o financiamento de mais 53 propostas classificadas no edital. Dessa forma, 53 microbacias da Bacia do Rio São Francisco estão sendo contempladas com a elaboração de projetos executivos voltados à conservação do solo e à produção de água, considerando as características, potencialidades e necessidades específicas de cada local.
Projetos Executivos para a região do Submédio SF
No âmbito do Submédio do São Francisco, destacou-se a implementação de Projetos de Proteção, Conservação e Recuperação Ambiental nas microbacias do Riacho do Entulho e do Brejinho da Serra.
Rayssa também reforçou que, em 31 de julho de 2026, foi encerrado o prazo para submissão de projetos executivos candidatos ao financiamento com recursos do Fundo Eletrobras. Os projetos habilitados serão avaliados pelas Câmaras Consultivas Regionais (CCRs), com apoio técnico da Agência Peixe Vivo.
A expectativa é de um investimento da ordem de R$ 25 milhões por região fisiográfica, destinado à implementação das ações previstas nos projetos selecionados. Na região do Submédio, foram recebidas 11 propostas para avaliação.
Parcerias
Cláudio Ademar, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, trouxe novidades: contou que a recepção de projetos da Bacia do São Francisco foi pactuada com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). Além disso, um novo acordo também foi firmado com o Ministério de Minas e Energia (MME), que passará a receber propostas da região. Antes, apenas o MMA recebia os projetos do São Francisco para apresentação ao comitê responsável pelo Fundo Eletrobras.

Campus Opará/UNEB
Durante a reunião, o fiscal técnico da Agência Peixe Vivo (APV), Thiago Lana, falou sobre o andamento das instalações da unidade de apoio à educação ambiental e capacitação de povos tradicionais na UNEB, em Jeremoabo, na Bahia. Ele pontuou sobre investimentos e percentual de execução no que diz respeito ao acompanhamento, assessoramento técnico e operacional e fiscalização da execução de reforma, além de abordar as implantações de módulos no projeto do Campus intercultural Opará/UNEB.
Eloy Lago Nascimento, da UNEB, destacou que o Campus cobre muitos municípios, atendendo a uma grande população regional. Ele frisou que se trata do primeiro campus realmente diferenciado do Brasil, voltado, especialmente, a povos originários, quilombolas e camponeses. A ideia, neste primeiro momento, é focar em licenciatura e pedagogia indígena e quilombola, além do curso para populações camponesas de Engenharia Agronômica, em parceria com o CBHSF, contemplando uma importante demanda da região.
Para o docente, esse processo formativo é inovador e tem muito a enriquecer o território a partir de um modelo educacional pautado pela Pedagogia de Alternância, com tempo de comunidade e tempo de universidade, facilitando a aplicação do conhecimento.
Expedição PISF
O CBHSF pretende realizar, ainda este ano, uma expedição pelo Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) para acompanhar de perto as estruturas, os territórios e diferentes aspectos relacionados à operação. Sobre o tema, foi reforçada a importância de estar atento ao que ocorre no âmbito da transposição e ao uso das águas do Velho Chico.
Geoparques
Trazendo atualizações sobre os Geoparques ao longo da Bacia do São Francisco, Thaís Guimarães, da Universidade de Pernambuco, contou que está sendo elaborada uma sistematização sobre o que já foi levantado em reuniões para compartilhar com diferentes órgãos e avançar com possíveis colaborações. Sobre um dos principais desafios, mencionou a necessidade de pensar sobre a gestão desses geoparques, tema que deve entrar em pauta com mais força depois do trabalho de mobilização e definição de municípios que irão de fato compor o projeto.
Considerações finais
O coordenador da Câmara Consultiva Regional (CCR) do Submédio São Francisco, Elias Silva, que intermediou a reunião desta quinta-feira, comentou que a Plenária deste ano deve ocorrer dentro do Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas (ENCOB), para facilitar a adesão.
O encontro terminou com considerações das Câmaras técnicas e assuntos gerais, com ênfase, entre outras pautas, na situação atual da Bacia do Pajeú.
Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Andréia Vitório
*Foto: Juciana Cavalcante