CBHSF promove reunião estratégica sobre criação de geoparques no território do São Francisco

12/03/2026 - 11:23

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) realizou, na última terça-feira (10), uma videoconferência estratégica com o tema “Criação de Projetos de Geoparques como Estratégia de Desenvolvimento Sustentável no Território do São Francisco”. O encontro reuniu mais de 60 representantes de instituições públicas, gestores municipais, instituições de ensino e órgãos ambientais interessados em fortalecer iniciativas de desenvolvimento sustentável na região da bacia.


A reunião teve como objetivo alinhar instituições parceiras para a formação de um Grupo de Trabalho voltado à estruturação de projetos de geoparques em três regiões estratégicas do território do São Francisco: Seabra, na Bahia; o Sertão do Pajeú, em Pernambuco; e a região dos Cânions do São Francisco, no Baixo São Francisco.

Os geoparques são reconhecidos internacionalmente como instrumentos importantes para a valorização do patrimônio geológico, natural e cultural, contribuindo para o fortalecimento do turismo sustentável, da educação ambiental e da geração de renda nas comunidades locais. A iniciativa busca se inspirar em experiências consolidadas no Brasil, como o Geopark Araripe e o Geoparque Seridó, referências na promoção do desenvolvimento territorial aliado à conservação ambiental.

Um dos destaques da programação foi a participação do professor Artur Agostinho de Abreu e Sá, presidente da Global Geoparks Network (GGN) e docente da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Portugal. Durante sua apresentação, o especialista destacou a importância dos geoparques como instrumentos de gestão territorial e desenvolvimento sustentável, compartilhando experiências e perspectivas sobre o impacto global desse modelo. “Essa iniciativa é extremamente importante. Para mim é algo essencial, e percebo que todos aqui têm paixão pelo tema. Com essa participação coletiva, tudo ficará mais fácil de ser desenvolvido e viabilizado”, afirmou o professor.

Segundo Cláudio Ademar, presidente do CBHSF, o encontro marca o início de uma nova etapa para as regiões margeadas pelo Rio São Francisco. “Essa reunião é um marco na história do Comitê. É um desafio importante e o Comitê tem a responsabilidade de dialogar com a sociedade, com o poder público e com diversos atores. O tema geoparque precisa ser trabalhado em nossa região. Vamos dar prosseguimento à construção de um grupo de trabalho para iniciar a implementação do geoparque. Estou bastante animado e sei que outros representantes também irão trabalhar para fazer acontecer”, destacou.

Para Thais Guimarães, professora da Universidade de Pernambuco (UPE) e membro da Câmara Técnica de Águas Subterrâneas (CTAS), a iniciativa representa um passo importante na valorização e integração dos territórios da bacia. Segundo ela, os municípios inseridos na bacia do São Francisco possuem potencial comprovado para compor territórios de geoparques reconhecidos pela UNESCO.

“Esses territórios possuem aspectos geológicos de relevância internacional, como rochas muito antigas da região do Cráton do São Francisco, além de paisagens moldadas pelas águas do rio que tornam o território único. Essas paisagens também estão associadas ao modo de vida das pessoas, das comunidades tradicionais, ribeirinhos, indígenas, quilombolas e outras populações locais. O geoparque integra todos esses elementos de geologia, geomorfologia, hidrografia e aspectos sociais, promovendo um modelo de gestão territorial voltado à cooperação, integração e desenvolvimento sustentável”, explicou.



O coordenador da Câmara Consultiva Regional do Submédio São Francisco do CBHSF, Elias Silva, ressaltou que a iniciativa fortalece o sentimento de pertencimento das comunidades. “Essa reunião era aguardada por diversos atores. O Pajeú possui características importantes que dialogam com o conceito de geoparque. Esse tema vai muito além do que vemos à primeira vista e precisa ser consolidado, pois fortalece o vínculo das comunidades com o território. Recomendo que os municípios se articulem para se envolverem nessa pauta”, destacou.

Já Cláudio Pereira, coordenador da Câmara Consultiva Regional do Médio São Francisco, ressaltou que os geoparques também contribuem para a preservação ambiental. “É importante entender que o geoparque não está relacionado apenas ao turismo. Ele também está ligado à preservação do Rio São Francisco. Temos enfrentado ameaças e pressões de exploração em nossas regiões, e a proteção do território traz benefícios diretos aos nossos rios”, afirmou.

A iniciativa representa mais um passo do CBHSF no fortalecimento de estratégias que integrem conservação ambiental, valorização do patrimônio natural e cultural e desenvolvimento socioeconômico nas regiões inseridas na bacia do Rio São Francisco. A criação do Grupo de Trabalho permitirá avançar na articulação institucional e na construção de propostas voltadas à implantação de geoparques no território do Velho Chico.


Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Deisy Nascimento
*Foto: Marcizo Ventura