CBHSF articula construção do Geoparque Pajeú em reunião realizada em Triunfo (PE)

13/08/2026 - 18:18

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) articulou, nesta quinta-feira (13), uma reunião estratégica para discutir a construção de uma proposta de Geoparque Pajeú. O encontro foi realizado em Triunfo (PE) e reuniu representantes de municípios, universidades, gestores públicos, pesquisadores, empresários, profissionais do turismo, comunidades e organizações da sociedade civil.


A iniciativa busca discutir as potencialidades da geodiversidade, do patrimônio natural e cultural e as possibilidades de desenvolvimento sustentável no território do Pajeú, considerando a relação da região com a Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco.

A articulação contou com a participação do presidente do CBHSF, Cláudio Ademar da Silva, do coordenador regional da CCR Submédio São Francisco, Elias Silva, da presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pajeú, Ângela Maria Santos Schepp, da Dra. Thaís Guimarães, professora e pesquisadora da Universidade de Pernambuco (UPE) e membro do Comitê, e de Osmar Barreto Borges, analista ambiental e geógrafo do ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

Discussão também passou pela Rádio Triunfo FM

A discussão sobre o Geoparque Pajeú também ganhou espaço na programação da Rádio Triunfo FM, onde Cláudio Ademar, Elias Silva e Dra. Thaís Guimarães participaram de entrevista para explicar à população o significado da proposta e os caminhos para a construção da iniciativa.

Durante a conversa, a professora da UPE explicou que um Geoparque não é uma unidade de conservação, parque nacional ou área de proteção ambiental. A proposta trabalha com a integração entre patrimônio geológico, paisagens, cultura, educação e desenvolvimento sustentável.

Entre as possibilidades discutidas estão o geoturismo, o ecoturismo e o turismo de base comunitária, além da valorização do artesanato, da gastronomia, da agricultura familiar, dos produtos locais e dos saberes e fazeres das comunidades.

A perspectiva apresentada é de que o visitante não tenha apenas uma experiência de lazer, mas também compreenda a formação da paisagem, a história do território e a relação das comunidades com os lugares visitados.

Na entrevista, o presidente do CBHSF abordou a relação da iniciativa com a Bacia do São Francisco e a importância de levar a discussão do Geoparque para o território. O coordenador regional Elias Silva também participa da articulação, enquanto a Dra. Thaís Guimarães atua na construção técnica da proposta.

Participação da sociedade

Um dos principais pontos apresentados durante o encontro foi o caráter participativo da proposta. A construção do Geoparque deve ocorrer de baixo para cima, com participação direta das comunidades e dos diferentes setores envolvidos no território.

Municípios constroem mapas e apresentam resultados

No período da tarde, representantes de Tabira, Betânia, Tuparetama, Calumbi, Carnaubeira da Penha, Mirandiba, São José do Belmonte, Triunfo e Afogados da Ingazeira participaram de uma dinâmica coordenada pela Dra. Thaís Guimarães.

Os participantes trabalharam na construção de mapas do território, identificando características, patrimônios e potencialidades que podem integrar a futura proposta do Geoparque. Depois, os grupos apresentaram os mapas e os principais pontos levantados durante a atividade.

A dinâmica foi organizada em quatro eixos: Geodiversidade, Geoconservação e Inventário; Turismo, Geoturismo e Desenvolvimento Territorial; Educação, Comunicação, Geoeducação e Participação Social; e Governança, Institucionalidade e Captação de Recursos.

A atividade permitiu que os próprios representantes dos municípios apontassem elementos do território que consideram relevantes para a construção da proposta, aproximando a discussão técnica da realidade de cada localidade.


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Caminho até a UNESCO

A reunião não representa um reconhecimento oficial do Pajeú como Geoparque Mundial da UNESCO. O encontro marca uma fase inicial de construção da proposta.

Durante a agenda, foi explicado que o processo envolve diferentes etapas. Primeiro, é necessário estruturar o projeto, mobilizar os municípios e comunidades, realizar o inventário do patrimônio e construir uma governança territorial.

Caso a candidatura avance, o território passa por avaliação técnica, com analistas da UNESCO verificando as características apresentadas no dossiê e a estrutura existente no local. Por isso, o processo pode levar anos e varia de acordo com a realidade e a capacidade de organização de cada território.

Durante a discussão, foram apresentadas experiências de outros Geoparques brasileiros, entre elas a do Geoparque Araripe, no Ceará, reconhecido em 2006 como o primeiro Geoparque do Brasil e das Américas, e a do Geoparque Seridó, no Rio Grande do Norte.

A proposta para o Pajeú, no entanto, deverá ser construída de acordo com as características próprias da região, considerando sua geologia, paisagens, patrimônio histórico e cultural, atividades econômicas e participação das comunidades.

Próximos passos

A programação prevê, nesta sexta-feira (14), uma visita técnica de campo a áreas de interesse geológico, geomorfológico, hidrográfico, paisagístico, cultural e turístico do território.

O encontro realizado em Triunfo encerra uma primeira etapa de mobilização e discussão sobre o Geoparque Pajeú. A partir dos debates, da participação dos municípios e dos mapas construídos pelos grupos, a iniciativa deverá avançar para novas etapas de articulação entre os comitês de bacia, universidades, poder público, setor produtivo, instituições ambientais e comunidades.

A proposta coloca o patrimônio natural e cultural do Pajeú no centro de uma discussão que pretende unir conservação, educação, turismo e desenvolvimento sustentável, com a construção de uma estratégia territorial que poderá, futuramente, buscar o reconhecimento internacional da UNESCO.


Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Júnior Campos
*Foto: Júnior Campos