Programa Recaatingar é apresentado ao CBHSF e propõe recuperação integrada da Caatinga

08/04/2026 - 13:22

Os membros da Diretoria Colegiada do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) conheceram, nesta manhã (08/04), o Programa Recaatingar, iniciativa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) voltada à recuperação de áreas degradadas e ao enfrentamento da desertificação no bioma Caatinga.


A apresentação foi conduzida pelo diretor do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (DCDE/MMA), Alexandre Henrique Bezerra Pires, que destacou o caráter estruturante e de longo prazo da proposta. Segundo ele, o programa busca integrar diferentes frentes de atuação e fortalecer o papel da Caatinga na agenda ambiental do país.

“Essa será uma das principais entregas do Ministério do Meio Ambiente. Trata-se de um programa estruturante, pensado para o longo prazo, que busca não apenas colocar a Caatinga no centro das políticas públicas, mas também conectar diversas iniciativas já existentes, envolvendo comitês de bacia, instituições de pesquisa e outros atores”, afirmou.

O diretor ressaltou ainda que o diferencial do Recaatingar está na abordagem integrada, que alia recuperação ambiental à geração de oportunidades para as populações locais. “Nosso foco é a restauração socioprodutiva, e não apenas ecológica. Queremos recuperar o bioma associando essa agenda à segurança alimentar, à geração de renda e à melhoria da qualidade de vida das comunidades”, completou.

Desertificação avança e exige ação integrada

Durante a reunião, representantes do CBHSF destacaram a urgência do tema na bacia do São Francisco. O coordenador da Câmara Consultiva Regional do Baixo São Francisco, Maciel Oliveira, chamou atenção para o avanço da desertificação.

“Hoje, cerca de 70% da bacia já apresenta áreas em processo de desertificação. Nosso Plano de Recursos Hídricos já prevê ações voltadas para essas regiões, e temos experiências exitosas que mostram que é possível avançar”, afirmou.

Ele citou como exemplo o viveiro de mudas da Caatinga em Canindé de São Francisco (SE), iniciativa reconhecida nacionalmente. “São soluções simples, de baixo custo, mas que funcionam. Precisamos manter a Caatinga sempre na pauta”, reforçou.

Participação social e segurança alimentar no centro do debate

A importância do envolvimento da sociedade também foi destacada pelo coordenador da CCR Médio São Francisco, Cláudio Pereira. Para ele, os comitês de bacia desempenham papel estratégico nesse processo.

“É fundamental que a sociedade esteja envolvida nessa discussão. Os comitês são espaços importantes porque reúnem diferentes setores e o poder público. Além disso, o programa precisa considerar a produção de alimentos, especialmente para pequenos produtores e comunidades tradicionais que vivem da subsistência”, pontuou.



Integração e geração de renda como caminhos

O presidente do CBHSF, Cláudio Ademar, avaliou a apresentação como um primeiro passo para a construção conjunta de ações na bacia.

“Estamos conhecendo o programa e esperamos que esta seja a primeira de muitas reuniões. O Comitê já desenvolve projetos que utilizam tecnologias eficientes, com resultados positivos na recuperação da Caatinga, como em Jaguarari, na Bahia, e em Canindé de São Francisco”, destacou.

Ele também enfatizou a necessidade de envolver diretamente os proprietários rurais nas iniciativas. “É essencial que os projetos tragam alternativas de renda, para que o produtor se engaje e compreenda os benefícios, tanto para ele quanto para o meio ambiente. A desertificação já é uma ferida aberta na bacia do São Francisco, e precisamos agir de forma integrada”, afirmou.

Caminho para ações estruturantes

O Programa Recaatingar propõe uma abordagem baseada em diretrizes como valorização dos conhecimentos locais, protagonismo das comunidades, adoção de práticas agroecológicas e uso das microbacias como unidades de planejamento. Entre seus componentes estão ações de mobilização social, capacitação, restauração socioprodutiva, gestão do conhecimento e monitoramento.

A iniciativa também dialoga com políticas públicas nacionais e compromissos internacionais, como a neutralidade da degradação da terra e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A expectativa, a partir do diálogo com o CBHSF, é avançar na construção de parcerias e na implementação de ações concretas que contribuam para a recuperação da Caatinga e a segurança hídrica em toda a bacia do Rio São Francisco.


Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Mariana Martins
*Foto: Edson Oliveira