Diretoria do CBHSF avança em articulações com MIDR e Codevasf em reunião sobre a bacia do Velho Chico

30/03/2026 - 23:53

Na última quinta-feira (26), a Diretoria Colegiada (DIREC) do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) reuniu-se na sede da Agência Peixe Vivo (APV) para alinhar ações, debater propostas e receber representantes do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). O encontro foi marcado pelo aprofundamento de informações sobre o Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) e pelo debate sobre o peixamento no Brasil, com foco no Velho Chico, além de pautas administrativas do comitê.


Projeto de Integração

Durante a reunião, o analista de infraestrutura do MIDR, Bruno Cravo Alves, apresentou um panorama atualizado do PISF, desde sua concepção até o estágio atual. Considerada a maior obra de infraestrutura hídrica do país, a iniciativa conta com 477 quilômetros de extensão, distribuídos nos eixos Leste e Norte, e busca garantir segurança hídrica a cerca de 12 milhões de pessoas em 390 municípios do Nordeste.

O presidente do CBHSF, Cláudio Ademar, destacou o avanço na articulação institucional em torno do projeto. “Estamos nos aproximando de forma institucional para compreender melhor como está ocorrendo a gestão do PISF e avançar nessa agenda conjunta”, afirmou. Segundo ele, a iniciativa inclui a proposta de uma expedição pela transposição, com o objetivo de aprofundar o conhecimento técnico sobre o sistema. Cláudio também reforçou a necessidade de diálogo com os estados receptores, lembrando que a responsabilidade pela água deve ser compartilhada. “Se não tivermos água em quantidade e qualidade, não há o que transportar”, alertou, ao defender mais investimentos em revitalização, proteção de nascentes e fortalecimento dos comitês afluentes.

Ao comentar a presença da Codevasf, o presidente ressaltou a importância das parcerias para ampliar as ações na bacia. “Estamos somando forças para fortalecer uma política que cuide não só da água, mas também das pessoas, do solo e da biodiversidade”, disse. Ele destacou ainda que iniciativas como o peixamento fazem parte de uma estratégia mais ampla de revitalização, que envolve desde lagoas marginais até comunidades ribeirinhas. “A expectativa é avançar, ainda em 2026, na formalização dessa parceria e ampliar as ações em toda a bacia”, completou.

O coordenador da Câmara Consultiva Regional do Médio São Francisco, Cláudio Pereira, defendeu que o tema seja debatido de forma permanente no plenário do Comitê. “Essa discussão precisa ser constante, porque há uma corresponsabilidade de todos os envolvidos com a bacia”, afirmou. Ele alertou que, apesar dos benefícios do projeto, ainda existem passivos importantes e uma demanda contínua por água que pode gerar desequilíbrios. Para ele, é fundamental ampliar o debate com estados, União e representantes políticos. “Essa discussão precisa ser coletiva, solidária e mais equilibrada entre todos os envolvidos”, concluiu.


Confira o álbum de fotos na íntegra:


Peixamento

A reunião também contou com a participação de representantes da Codevasf, entre eles o analista Yoshimi Sato, com quase 50 anos de atuação no repovoamento de peixes nativos. Ele apresentou dados e estudos sobre o peixamento no Brasil, com foco na bacia.

O peixamento consiste na soltura planejada de alevinos em rios, lagos e açudes, com o objetivo de repovoar mananciais, fortalecer a pesca artesanal e contribuir para o equilíbrio ambiental. A prática prioriza espécies nativas que vêm diminuindo ao longo dos anos no Velho Chico, reforçando a necessidade de ações contínuas de conservação.

Sato apresentou dados e um panorama histórico do peixamento na bacia, abordando desde as espécies ainda presentes até as regiões que demandam maior atenção.

O diretor de revitalização e desenvolvimento regional da Codevasf, José Vivaldo Mendonça, destacou o apoio às comunidades e à produção local. “Temos atuado com suporte logístico e produtivo, respeitando as regionalidades e atendendo às necessidades dos territórios”, afirmou. Ele reforçou que, apesar da expansão das ações, a bacia do São Francisco segue como prioridade. “É a nossa casa, a nossa grande aldeia”, disse.

Encerrando a apresentação, Cláudio Ademar afirmou que o Comitê deve avançar na construção de um termo de parceria com a Codevasf para estruturar um programa permanente de repovoamento de peixes nativos. “Queremos um plano contínuo para toda a bacia, com definição clara das responsabilidades”, explicou. Segundo ele, a proposta ainda será debatida nas instâncias do CBHSF, mas já aponta para um objetivo central: fortalecer a pesca artesanal, uma das atividades mais impactadas pelos barramentos do rio. “É uma forma de valorizar quem sempre viveu do São Francisco e hoje enfrenta grandes dificuldades”, concluiu.

Outros assuntos

Também estiveram em pauta a minuta de resolução da DIREC que trata da composição do Grupo de Trabalho responsável pelo acompanhamento do Plano de Educação Ambiental do CBHSF, além da análise de propostas de patrocínio para o XVIII Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste (SRHNE) e para o XVIII Encontro de Recursos Hídricos de Sergipe (ENREHSE).


Assessoria de Comunicação do CBHSF:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: João Alves
*Fotos: João Alves