Transposição é tema de debate na XXXII Plenária

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Texto: Delane Barros e Foto: Victor Jucá

O segundo e último dia da XXXII Plenária Ordinária do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) teve uma importante discussão sobre a transposição do rio São Francisco. O debate contou com a participação do ex-secretário de Meio Ambiente de Pernambuco e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), José Almir Cirilo, o doutor em Engenharia Hidráulica e Saneamento, João Abner, bem como representantes do CBHSF, Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e Ministério da Integração. A Plenária é realizada desde ontem (18 de maio) no auditório do hotel Golden Tulip, em Recife (PE).

José Almir Cirilo considerou fundamental aprender com a seca atual e usou como exemplo a realidade de Pernambuco. Ele alertou para os aspectos legais da obra e defende uma gestão adequada para os diversos usos, que poderão ser ampliados. “Existem muitos inconformismos nas procuradorias dos estados e é preciso chegar a um entendimento”, defende ele. Cirilo também considera como visão de futuro a utilização da água sendo destinada ao consumo, à conservação da biodiversidade e à produção. “Não podemos fechar os olhos para os conflitos potenciais que podem existir pelos usos da água da bacia”, esclareceu.

Já o assessor da Codevasf, Athadeu Ferreira, explicou sobre a gestão do Programa de Integração do São Francisco, conhecida transposição, e apresentou as atividades concluídas ou em execução no âmbito da bacia do São Francisco. Ferreira também apresentou o modelo de gestão que está sendo elaborado pela empresa a fim de padronizar a forma de atuação da Codevasf na transposição.

Athadeu Ferreira complementou afirmando que o controle de outorgas precisa ser acompanhado de forma mais efetiva e admitiu que a revitalização do São Francisco é fundamental e urgente. “É preciso envolver a sociedade. Nós temos uma situação que não podemos esquecer, que é o fato de que a água do rio é essencial para a população”, considerou ele.

A mesa redonda também contou com a participação do professor da área de recursos hídricos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), João Abner Guimarães Jr que questionou a falta de debates aprofundados antes da realização da obra. Para ele o resultado disso é que pouco se sabe sobre os aspectos do projeto. “É importante discutir, agora, porque surgirão impactos na bacia”, explica ao lembrar que o trecho referente ao chamado Eixo Norte não favorece o abastecimento humano. “Com exceção de uma parte de Fortaleza, o atendimento humano é muito pequeno”, considerou ele.

Ao analisar o Eixo Leste, que leva água para a Paraíba, Abner disse que se trata apenas de um projeto politizado. “É um projeto que é vendido da mesma forma pelos governos. A realidade é que não vai alterar o quadro de seca da região e vai aumentar o risco de colapso histórico no São Francisco e nas bacias receptoras”, concluiu ele.

 



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Publicado em sexta-feira, 19 de maio de 2017