Força tarefa

Vítima da degradação ambiental e das longas estiagens, o rio Curituba, em Canindé do São Francisco, só corre três meses por ano. Em execução, projeto do CBHSF une obras de recuperação da sub-bacia e muita mobilização social para trazer de volta a água.

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Texto: Vitor Luz e Fotos: Edson Oliveira

Em algumas regiões do nordeste, os rios só correm durante três meses por ano. Um destes rio de temporada chama-se Curituba, um exemplo quase morto da escassez dos recursos hídricos. O afluente da margem direita do rio São Francisco atravessa o município de Canindé de São Francisco, Sergipe. Um projeto de recuperação hidroambiental  desta sub-bacia já está em execução, com 156 barraginhas em funcionamento. E segue com cercamentos  de nascentes e irrigações nas zonas de reflorestamento.

A proposta do projeto é recuperar e proteger, com reservas legais (RL) e zonas de preservação permanente (APPs), no entorno de nascentes e cursos d’agua. A media visa regularizar a produção de água, promover equilíbrio ambiental e uso sustentável dos recursos naturais. São mais de 50 espécies de mudas nativas da Caatinga sendo plantadas na região.

Em curso

Como raramente o sertão vê uma boa chuva, uma das ações primordiais foi a implantação de um sistema de irrigação chamado Bubbler, que a cada sete dias goteja cinco litros de água nas mudas plantadas.

Outra ação importante foi a instalação de barraginhas (bacias de contenção), que servem para segurar a água da chuva, com o objetivo de infiltrar no solo. Ela evita o escoamento das águas, recarrega o lençol freático e deixa a terra mais úmida para que futuramente o reflorestamento seja realizado com sucesso.

Já foram construídas 156 unidades, o que beneficia toda a população local, tanto os agricultores, como os criadores de animais. A segunda realização, não menos importante, são os cercamentos das áreas preservadas, que evitam o pisoteio dos animais e ações de degradação do homem.

Todos juntos

A mobilização social é um dos pontos fortes do projeto. Os moradores de Canindé de São Francisco estão engajados na luta pela preservação ambiental.

“Esse projeto, em especial, traz uma boa repercussão, pois toda a mão de obra necessária para execução das ações foi contratada na região e isso gera um ganho significativo para os moradores locais”, disse Alessandro Vanini Amaral de Souza que é Engenheiro Agrônomo da GOS Florestal, empresa responsável pela execução do projeto.“Quando a população vê uma barraginha construída é como se fosse um sonho materializado, algo palpável. Com o cair das chuvas elas ficam repletas de água e as pessoas conseguem perceber a importância dos trabalhos. A escassez de água tem sido uma grande preocupação, o que está despertando para a necessidade de preservação dos recursos hídricos”.

O rio Curituba é intermitente, temporário, ou seja, durante o inverno ele apresenta-se com água e o espetáculo das cachoeiras e correntezas pode ser apreciado e até sentido por todos aqueles que moram nas proximidades. Mas durante o período de estiagem, no verão, as gotas são substituídas por grãos de areia, chegando a rachar o solo e subtraindo o verde brilhante da flora nativa.

“O rio enche quando chove muito, durante uns três meses por ano e no restante dos dias ele fica seco. Onde passa água hoje é areia, e todo mundo sofre com isso, tanto quem pesca, como todas as outras pessoas que dependem dele, inclusive os animais. Por conta das estiagens a população aqui recebe água através dos carros Pipa”, comentou Amaral de Souza.

Os benefícios do projeto atingem toda a população:

“Esse projeto devolve a água para esse solo tão seco. A população e o meio ambiente são os maiores beneficiados, seja pelas estratégias de preservação que realizamos, seja pelas oportunidades de sustentabilidade que desenvolvemos”, disse Janiel Batista encarregado florestal da empresa GOS Florestal. “Os moradores são agentes ativos neste processo, respeitando os limites estabelecidos pelos cercamentos e preservando as águas retidas pelas barraginhas. Precisamos de uma mobilização maior, em nível nacional, para que juntos, possamos conquistar resultados mais expressivos. Devemos esquecer de uma vez por todas a palavra desmatamento e focar todas as energias no reflorestamento”.

Fotos da região

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Boas novas

Outra novidade é a implantação de um Sistema Agroflorestal, que é o consórcio de espécies florestais e agrícolas. Essa técnica ajuda na diversificação dos sistemas de produtivos, proteção dos solos contra a erosão, evita a exposição excessiva ao sol deixando o solo mais úmido e permite aos agricultores produzir alimentos como feijão, melancia, dentre outras espécies. Essa técnica possibilita a preservação ambiental juntamente com a produção de alimentos, o que terá um efeito positivo para a sustentabilidade futura do projeto.

O Campo Experimental de Sistema Agroflorestal tem como objetivo  despertar a população local para novas técnicas mais sustentáveis de produção, transformando cada morador em um parceiro ativo na execução do projeto. Também vai permitir que cada morador possa retirar alimento e renda das áreas de proteção ambiental, viabilizando um futuro sustentável.

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Publicado em sexta-feira, 12 de maio de 2017