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08/11/2017

4ª Mostra Velho Chico marca o segundo dia do Circuito Penedo de Cinema

Evento prossegue até a quinta-feira (9 de novembro) sempre das 14h às 16h, na Praça Doze de Abril

Nesta terça-feira (07 de novembro) teve iniciou o segundo dia do Circuito Penedo de Cinema, que chegou com novas cores, ares, cheiros e sabores. A cidade de Penedo acendeu, os mercados se abriram e o velho Chico brilhou ainda mais forte diante de todos aqueles que estão na cidade histórica para conferir as novas produções audiovisuais. O destaque da programação de hoje foi para a 4ª Mostra Velho Chico de Cinema, que aconteceu na sala de exibições, na Praça Doze de Abril.

A Mostra Velho Chico de Cinema Ambiental possui o objetivo de proporcionar um espaço para debates sobre a necessidade de preservação dos mananciais aquíferos, especialmente, no que se refere à Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. Seu nascimento aconteceu na quarta edição do Festival de Cinema Universitário de Alagoas e é fruto da parceria com o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF).

A Sala de Exibições, localizada na Praça 12 de Abril, ficou completamente lotada de crianças e adolescentes de seis escolas da cidade ribeirinha, que prestigiaram os seis filmes e assistiram ao debate feito logo em sequência. O brilho nos olhos, coração acelerado e mãos frias foram às características claras nos participantes.

A exibição dos filmes: Alternância (Bahia | Direção: Geilane de Oliveira); Amargo da Cana (Paraíba | Direção: Rosivan Pereira da Silva; Suellen Ramos da Silva; Wellington Faustino de Oliveira); Latossolo (Bahia | Direção: Michel Santos); O Futuro a Deus Pertence? (Minas Gerais | Direção: Dêniston Diamantino) e Marias (Goiás | Direção: Edem Ortegal), foi regada a muita pipoca e a uma sonorização que foi capaz de transportar todos para uma atmosfera lúdica, mágica e reflexiva.

“Essa é a minha primeira oportunidade que venho ao cinema, sempre ouvia meus amigos falando e eu achava um máximo, eu não imaginava que era tão bonito. Também gostei da reflexão que esses filmes sobre meio ambiente trouxeram, estou saindo daqui querendo cuidar mais do meio ambiente e vou começar fechando a água da torneira ao escovar os dentes”, confessa João Alberto, 16.

A programação também foi inclusiva. Os surdos que escolheram participar das exibições nesta tarde puderam acompanhar e compreender todos os acontecimentos por meio de intérpretes de libras, que traduziram todos os discursos para língua de sinais.

Confira as fotos

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Roda de Conversa

Ao fim das apresentações uma roda de conversas foi iniciada, composta pelo biólogo, fotógrafo da Natureza e doutor em Biologia Vegetal, José Alves Filho e pelo engenheiro de Pesca, mestre em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental, Ticiano Oliveira. A mediação ficou a cargo da bióloga, doutora em Geografia e pós doutora em Planejamento Urbano e Ambiental, Milena Dutra.

“Em nosso almoço de hoje não pudemos comer peixes originários do rio São Francisco, infelizmente comemos peixes da Amazônia, como a tilápia e tambaqui. O privilégio de experimentar os frutos genuínos do São Francisco nós não teremos mais. Só preservamos e cuidamos do que conhecemos, não podemos cuidar do outro se não conhecermos a história dele. Nossa missão enquanto educador é levar história para nossos alunos. Senão soubermos fazer uma análise do passado, não poderemos ser senhores do destino no futuro. O São Francisco tem solução e um dos alicerces é a educação”, afirma o professor José Alves.

Quem pode contribuir com o debate foram os produtores do filme Amargo da Cana, Kennel Rógis e Michel Santos, que reforçaram a importância do fazer cinema e contar as histórias mais genuínas. “Cresci em Luiz Magalhaes, também conhecida como Mimoso do Oeste. O Amargo da Cana é um filme que traz história de sistemas que vem de cima pra baixo. Às vezes acreditamos que não podemos fazer muita coisa sobre o local em que vivemos, mas sim, por meio do cinema podemos mudar o curso da nossa vida e do nosso mundo. Vocês podem fazer cinema, seja por meio de um celular ou de uma boa câmera. Esse filme mostra imagens e sons que serviram para impactar a gente e nos despertar a uma reflexão sobre o que desejamos transformar”, ressalta Michel.

Oficinas

Ao longo do dia aconteceram diversas oficinas espalhadas pela cidade de Penedo e a primeira delas foi “Uso da cor como ferramenta Narrativa”, com Marcelo Cosme. Os estudiosos e interessados se reuniram na Casa de Aposentadoria para buscar um pouco mais de aperfeiçoamento no tocante a coloração de filmes. Em um ritmo intimista, caloroso e colaborativo os presentes puderam assistir algumas produções e participar de uma retrospectiva histórica. A troca de experiências e o compartilhamento de expectativas foram marcas registradas nesse encontro.

O Centro de Cultura e Extensão Universitária (CEU) foi palco da oficina de Vídeo Ambiental, ministrado pelo jornalista especialista em fotografia de cinema, Alberto Casagrande. Toda a turma foi dividida em três grupos e eles assumiram o compromisso de criar um roteiro de até cinco minutos, com temáticas livres. Essa oficina prática e teórica foi capaz de despertar os participantes a buscarem um senso crítico apurado e consistente. “Quando eu escolhi vir ao circuito sonhei em viver cada momento dele. Meu objetivo é sentir o cinema e tudo o que ele representa. Essa experiência está sendo enriquecedora e poder pensar estratégias para salvar o São Francisco, além de ser um privilégio, precisa ser nossa missão”, afirma Laura Lima.

Foi na casa de Patrimônio que a oficina sobre o “Panorama Audiovisual Alagoano” ganhou forma e peso. Ministrado pela jornalista Larissa Lisboa analista em audiovisual do Sesc Alagoas. Os participantes puderam compreender a importância de particular de eventos como o Circuito Penedo de Cinema, pois os profissionais envolvidos apresentam conteúdos adquirimos ao longo de muitos anos de suas jornadas profissionais.

A programação continuou e Larissa exibiu o filme Memórias de uma Saga Caeté, do cineasta Pedro da Rocha. A obra foi feita por meio do II Prêmio de Incentivo à Produção Audiovisual em Alagoas, uma boa forma de fomentar a produção cinematográfica. O que garante ao idealizador ter um recurso para desenvolver o filme, embora demore para acontecer e não seja sistemático.

 

Por Vítor Luz

Fotos: Edson Oliveira

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